
O Instituto Camões/Embaixada de Portugal, em colaboração com Universidade de Brasília - UnB e a cátedra Jorge de Sena da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ , promovem hoje um sarau musical de homenagem ao poeta
Jorge de Sena.O barítono português José Oliveira Lopes, acompanhado ao piano pelo pianista Adriano Jordão, conselheiro de imprensa da embaixada de Portugal, irão executar trechos do ciclo "Viagem de Inverno", de Schubert, sobre poemas de Mueller.
Alunos das faculdades de Letras da UnB e da Universidade católica procederão à leitura de textos de Jorge de Sena.

JORGE DE SENA
Jorge Cândido de Sena (Lisboa, 22 de Novembro de 1919 — Santa Barbara, Califórnia, 4 de Junho de 1978) foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português, também naturalizado brasileiro.
Alvo de perseguição política durante o regime de Salazar, Jorge de Sena exilou-se no Brasil em 1959 e, posteriormente, nos Estados Unidos da América, em 1965, onde viria a falecer treze anos mais tarde.
Em 11 de Setembro de 2009, os seus restos mortais foram trasladados de Santa Bárbara, Califórnia, onde estavam enterrados desde 1978, para o cemitério do Prazeres em Lisboa, depois de cerimónia de homenagem na Basílica da Estrela, com a presença de familiares, amigos e do Primeiro-Ministro, José Sócrates, e da esposa do Presidente da República, Maria Cavaco Silva.
Foi, possivelmente, um dos maiores intelectuais portugueses do século XX. Tem uma vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de vasta epistolografia com figuras tutelares da história e da literatura portuguesas. O seu espólio conta com uma enorme quantidade de inéditos em permanente fase de preparação e publicação, aos cuidados da viúva, Mécia de Sena.
Génesis
Jorge de Sena
De mim não falo mais :não quero nada.
De Deus não falo:não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.
Nem de existir,que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver,que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.
Por mais justiça ...-Ai quantos que eram novos
em vâo a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade...Ó transfusâo dos povos!
Não há verdade:O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais,todos mentiram.